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Damas de branco e de maio
As mulheres sempre nos surpreendem. Lembro-me de, nos tristes anos da ditadura militar argentina, ainda adolescente, admirar a coragem das Mães da Praça de Maio. Bravas senhoras, que enfrentavam a repressão em busca de notícias sobre seus filhos. Que, na maioria das vezes, haviam sido torturados e mortos. Agora, na ilha de Fidel, vemos as Damas de Branco, igualmente arriscando a vida por 75 presos políticos que mofam nos cárceres cubanos. Antes da Guerra das Malvinas, a ditadura argentina começou a apodrecer quando foi exposta ao sol da Praça de Maio por mulheres destemidas e determinadas. Agora, o reinado dos Castro balança pela força de mães e esposas de dissidentes políticos. É uma vergonha sem tamanho que, no Brasil, políticos e intelectuais beijem os pés de Fidel & Cia. Ditaduras não são absolvidas pela tendência política. De esquerda ou de direita, são todas execráveis. Quem necessita prender e arrebentar para mandar é um tirano sem perdão. Responsáveis pela política externa do Brasil se preocupam com a quantidade de filmes e seriados norte-americanos, mas não se incomodam em aplaudir a realidade crua e cruel de Cuba.
Escrito por Carlos Thompson às 23h47
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Barulho demais
Que coisa lamentável fizeram os vereadores paulistanos, reduzindo a eficácia do Programa de Silêncio Urbano (PSIU). Pode-se dizer que, agora, o barulho está liberado em São Paulo. Melhor quando eles se limitavam a criar datas comemorativas e dar nome a ruas e avenidas. E ainda nos enviam e-mails 'prestando contas'. Saiam para lá, a mim vocês não enganam! Voto? Podem esperar sentados. Inclusive o prefeito que, se quisesse, teria impedido tal absurdo.
Escrito por Carlos Thompson às 22h53
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Bluebird
Até que idade acreditamos no pássaro azul da felicidade? Quando cruzamos o rio da descrença, da desconfiança, da desesperança, e passamos a ver a vida com olhos exclusivamente materiais, sem sonhos, desejos nem aspirações? É difícil dizer. Todos já enfrentamos isso algum dia. O dia em que não aceitamos mais ser chamados de criança é a antevéspera daquele no qual começamos a ver a realidade sob o sol, sem qualquer retoque. Ainda assim, para quem tem filhos, sobrinhos, afilhados, e não está 100% ressabiado com a vida, duas dicas: revejam, se possível, "O Pássaro Azul" (The Bluebird), de 1940, que conta a história de dois irmãos que são levados para uma viagem ao passado, presente e futuro, em busca do Pássaro Azul da Felicidade. E, para aquecer esta tarde fria e civilizada, ouçam http://www.youtube.com/watch?v=tG1LQpv3p3c. Bluebird, de Paul McCartney. Temos direitos ao sonho e à ingenuidade, de vez em quando, ao menos.
Escrito por Carlos Thompson às 17h19
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Motoristas
Ficou perfeita a combinação de um filme britânico experimental de 1906, "The '?' Motorist", com 'Drive my Car', que Lennon & McCartney criaram 59 anos depois. Bom para nos esquecermos deste verão lixo, com temperaturas acima de 30ºC, chuva e destruição. http://www.youtube.com/watch?v=r490KKGN8mw
Escrito por Carlos Thompson às 11h01
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DDD 011
Saí do trabalho, certo de que teria pela frente mais de uma hora, quem sabe duas horas de trânsito horroroso, congestionado, em meio ao caos urbano aguçado pela tempestade. Foram mais de três horas. Ouvi Bob Dylan; Buena Vista; Blood, Sweet, Tears. E velhas músicas do Caetano. Gastei parte substancial destas três horas me esquivando de choques com outros carros. E tentando encontrar uma saída, uma free way para casa. Nada! Quando me aproximava da Avenida Faria Lima, houve um instante em que a chuva amainou, e um sol irônico quase surgiu. Irônico, porque viria após o estrago, após desabamentos, mortes, acidentes, atrasos... DDD 011, como eu brinco, chamada local para o Inferno, sem interurbano. Vivo aqui, sonho aqui, mas não me conformo com o desleixo com que esta cidade é tratada. Ainda por cima, o alcaide resolveu aumentar violentamente o IPTU, talvez por um sadismo inexplicável, ou somente por ser político, que é o fim. Cheguei em casa, minha mãe já havia telefonado, preocupada, pois as notícias ruins voam. Comi com apetite de náufrago, liguei para tranqüilizar meus pais, e me refugiei na música. Mais música, quer dizer, depois de três horas animadas. Gato Barbieri, genial, com Last Tango in Paris, amenizou este dia, um dos últimos do meu inferno astral. Não do DDD 011, ligação local. Do alcaide para o tinhoso, combinando mais taxas e impostos.
Escrito por Carlos Thompson às 23h01
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Mais um horário de verão
Mais um horário de verão/O tempo passou sem razão/Sem avisar, sem nos conceder/Um tempo para aceitar que o tempo/Que nos resta é cada dia menor/Uma disputa que começa no primeiro minuto/Logo, logo, eu mudarei de idade/Mas continuarei com minha incapacidade/De compreender, de saber, de aceitar/De perdoar, de relevar o que não vale nada/Dizem que vamos nos tornando mais sábios/Enquanto o tempo passa, isso é uma falácia/Continuo inseguro como um adolescente/Esperançoso como uma criança/Saudoso, isto sim, como quem viu o tempo/Correr pelo lado de fora da janela/Sem que nunca conseguisse alcançá-lo/Eu correndo com meus pés cansados/E o tempo galopando a cavalo/E a cada batida de braços do tempo/Vencendo as ondas e a corrente/Fui me despedindo de tanta gente/Importante, fundamental para mim/Por que esta passagem é assim?/Ironicamente, ainda me refugio no tempo/Cada dia mais distante dos anos sessenta/Talvez por culpa dos quatro rapazes de Liverpool.
Escrito por Carlos Thompson às 21h54
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Perguntem ao Pet
O personagem do futebol, neste final de semana, é um jogador de 37 anos, que fala português com algum sotaque: Dejan Petkovic, o meia sérvio que defende o Flamengo. Talvez somente os palmeirenses discordem - com razão sentimental -, mas Pet, como é mais conhecido, provou que talento e experiência ainda fazem diferença, em um país que despreza não somente seus idosos, mas também os profissionais maduros. Aqui, a mais-valia é elevada à milésima potência, então quem passa dos 40 anos já é considerado fora das pretensões de muitas empresas. Uma tolice sem tamanho, que os Pet da vida teimam em expor ao ridículo, com dois golaços no campo do adversário, líder do Brasileirão. Afinal, quando a pessoa soma experiência ao conhecimento, está pronta para fazer melhor, embora nem sempre mais. No Brasil, falta qualidade em quase tudo. A lambança vai da TV por assinatura aos serviços de celular. Ao PAC empacado. Ao trânsito, à violência e à concentração de renda. Como abrir mão de pessoas experientes e qualificadas? Perguntem ao Pet porque isto seria um erro sem tamanho.
Escrito por Carlos Thompson às 15h43
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Taxman
Todo dia, os governos tentam cobrar mais impostos. Sonham com taxas. Empanturram-se com contribuições, têm orgamos com a antevisão de novas mordidas no bolso do contribuinte. Nada dão em troca. Nada de nada. Deixam as cidades submergir, enquanto reduzem a limpeza urbana. Não cuidam do meio ambiente, das crianças, nem dos idosos. Não melhoram as escolas. Muito menos tornam nossas noites mais seguras, pois as cidades estão escuras. Os governos só pensam naquilo. Associar-se a nós, tomando nosso dinheiro, mas sem contrapartida. Tiram e pronto. A música de George Harrison, Taxman, que abre o álbum 'Revolver', é ainda muito atual. Novíssima. Lamentavelmente, há mais possibilidade de que o apetite dos governos aumente do que diminua, nos próximos anos. E que os serviços podres que nos oferecem fiquem ainda piores. Ou que aprendamos a não votar em quem cria, apoia ou amplia impostos, taxas e contribuições. Nós é que podemos mudar isto. Confira: http://www.youtube.com/watch?v=jzLry3ABpV0
Escrito por Carlos Thompson às 18h24
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Retrocesso
Lula critica jornalistas e meios de comunicação. Tentou criar um Conselho Federal de Jornalismo que, por sorte, não colou. Mas o STF acabou com a exigência do diploma. Hugo Chávez fecha canais de TV e mata a liberdade de imprensa. Rafael Correa, seu amigo e seguidor equatoriano, quer fechar a TV Teleamazonas. Agora, na Argentina, a o Fisco fez uma blitz no jornal 'Clarín', após críticas desta publicação contra o Escritório Nacional de Controle Comercial Agropecuário, também dirigido pelo chefe da Receita. Coincidência? Podem esquecer. Os ditos governos de esquerda (populistas, na verdade) latinoamericanos não engolem a tal liberdade de expressão. Manietaram os movimentos sociais, interferiram nos três poderes, mas se irritam por não controlar os meios de comunicação como gostariam. Temos que ficar alertas.
Escrito por Carlos Thompson às 09h54
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Chove chuva
Choveu tanto/que não houve encanto/em tanta chuva/semelhante a um pranto/da Terra devassada/águas rolando do nada/para lugar nenhum/choveu tanto/que lembrei, a cântaros/e, por aproximação/dos cátaros/tempestade medieval/não faz mal/porque chegamos intactos/exceto pelo tempo/que se escoou com a chuva/no trânsito insano/a chuva é só efeito/do malfeito/novas tempestades virão/no pseudoinverno/ou no verão/são as águas de.../qual estação?
Escrito por Carlos Thompson às 20h52
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Clareamento
Vamos pintar, urgentemente, telhados, estradas, ruas e calçadas de branco, em São Paulo. Havia lido algo sobre isso há muitos e muitos anos. O tema voltou com o agravamento dos desafios ambientais da Terra. Interessante matéria da Folha de S.Paulo, hoje, quarta-feira (02/09), trata do Plano B para resfriar, artificialmente, o planeta. O 'clareamento' é um das propostas. Pode não resolver tudo, mas baixará um pouco as temperaturas máximas, já insuportáveis neste começo de setembro. Melhor do que ficar observando as brigas dos países em relação ao tema, empurrando as responsabilidades uns para os outros. E nada acontece. A Prefeitura Municipal poderia criar um programa de estímulo ao clareamento, com, por exemplo, descontos no IPTU.
Escrito por Carlos Thompson às 13h54
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Pequenas traições
Existirmos: a que será que se destina? Não sei, Caetano, o que responder à tua pergunta em 'Cajuína', belíssimo poema, inolvidável melodia. Mas reflito, claro, sobre isto. Neste sábado, 8 de agosto, tive o prazer de ver 'O Pequeno Traidor'. Não, não se trata de um pequeno senador, em estatura física e moral. Este filme é sobre a amizade entre um menino judeu, Proffy Liebowitz, e o oficial inglês Dunlop, antes de ser criado o Estado de Israel. Sob ocupação inglesa, nada apropriada esta amizade. Mas, quem pode dizer o que determina uma amizade? O que une pessoas por um laço sólido e invisível, que suporta todo tipo de ameaças? Talvez, existamos para experimentar a difícil construção e manutenção de uma amizade. Já seria um bom, um excelente motivo. Não 'a', mas 'uma' resposta, Caetano, à dúvida sobre existirmos. Talvez seja a isto que nos destinamos. (Vejam o filme, disponível nas locadoras, do diretor Lynn Roth, com Alfred Molina, a partir do livro 'Pantera no Porão', de Amos Oz). Zelemos por nossas amizades.
Escrito por Carlos Thompson às 12h23
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Beatles again
O You Tube é fantástico! Um túnel do tempo, quando vemos, por exemplo, um velho vídeo dos Beatles. Lá, eles são jovens, e continuam a revolução do som. Que nunca parou. Nos vídeos, eles são os 'fab four', nem se discute. E a alquimia de Lennon-McCartney continua perfeita, não importa o que tenha havido depois. Aliás, neste mundo, Lennon e Harrison estão bem vivos, para nosso gáudio. Em algum tempo paralelo, os quatro rapazes de Liverpool ainda estão na estrada, tocando em cidadezinhas da Inglaterra, em busca de sucesso. Já são inesquecíveis, mas ainda não sabem disso. Em algum tempo, em algum lugar, há uma nova música da mais genial dupla de compositores de todos os tempos, pronta para ser gravada. Eles se divertem, eles ensaiam, e sonham com uma viagem aos Estados Unidos. Em algum tempo paralelo, em Liverpool, Lennon e McCartney se encontram pela primeira vez, e o rock'n roll eterniza este encontro, com músicas imorredouras. Em algum tempo paralelo, eles se encontrarão ou já se encontraram novamente, assim espero. Tudo é possível em tempos e universos paralelos, principalmente quando se fala ou pensa em Beatles.
Escrito por Carlos Thompson às 00h31
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Terra é azul
Iuri Gagarin, astronauta russo que foi o primeiro homem a viajar pelo espaço, estava coberto de razão: a Terra é azul. Ainda mais hoje, domingo, 19 de julho, quando se comemora o Dia do Futebol. Dia em que foi criado o Sport Club Rio Grande, da bela noiva do mar. Dia em que o Grêmio venceu o Grenal Centenário (a tradicional disputa começou há 100 anos). Muitas comemorações em um só dia. A Terra é azul. Precisa dizer mais?
Escrito por Carlos Thompson às 21h56
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Êxtase
Por que você não tem êxtase/Quando a língua te toca o céu da boca?/Êxtase não se consome em drágeas,/Nem em comprimidos, deprimidos./Por que você não atinge o Nirvana,/Quando tua filha te sorri, bacana?/Vida não tem bula, nem modo de usar,/E gente, é complicado, mas temos que falar.
Escrito por Carlos Thompson às 17h43
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